quarta-feira, 13 de julho de 2022

Ouvir Rock ou escutar Rock?

Antes de tudo, Feliz Dia Mundial do Rock (bebê)! Antes de escrever, deixo claro que há um contexto. O que era o Brasil nos anos 60/70/80? Depende: qual Brasil? O Urbano, com intenso fluxo migratório a partir do Nordeste do País? o rural, quando se deslocavam para áreas urbanas em busca de "melhores condições de vida" ou por Justiça Social? Esse mesmo Brasil, assolado por denúncias de torturas e inflação galopante insana era um país ansioso por crescimento e desenvolvimento. Ser urbano não condizia com a questão da qualidade de vida. Nasci em um bairro simples, ainda cheio de problemas. Parque Peruche era (ainda é) um bairro na Capital do estado de São Paulo formado predominantemente por famílias negras. Grande massa de trabalhadores (em sua maioria, braçal), quando gozando suas folgas, buscavam as poucas opções de entretenimento, em geral, as várias escolas de samba, blocos carnavalescos ou bailinhos no fundo do quintal com uma cobertura de lona. Sabíamos todos os sambas de cor, discutíamos quais eram as melhores escolas de samba, conviviamos pacificamente nesses ambientes. Era nosso único momento de lazer. Até o momento que tivemos acesso à aparelhos de comunicação mais eficientes, diferentes dos rádios portáteis, carregados por pilhas Ray-O-Vack(as amarelinhas, única opção à época). A TV (Preto e Branco ainda) fez a revolução. Junto com ela, conhecemos os rostos de nossos ídolos e ainda deixamos de ouvir músicas transmitidas apenas em Ondas Curtas e Ondas Médias (nem tínhamos acesso à Frequência Modulada). Qual o Menu? Rock.. muito Rock (Oi?). Sim, Bebê(s): nas Rádios Paulistanas escutavamos Led Zeppelin, Iron Maden, AC/DC, Beatles. Black Sabbath ou Ramones? Não, muito agressivo. Música brasileira, Música do sertanejo, forró? esquece: poucas rádios incluíam em sua programação a música local. Manifestações e pedidos de porcentagens de música nacional nas programações pipocaram aos montes, sem sucesso; As rádios alternativas ousavam corresponder a essa expectativa, mas com pouco alcance. A Música Internacional, até certo momento, manteve a hegemonia. Mas, daí , veio a salvação: Ah minha MPB, obrigado! Grato por vocês, Gil, Caetano, Gal, Betânia, Roberto Carlos; Obrigado Benito de Paula, a benção, Clara Nunes e Alcione. A música internacional que me satisfazia era produzida por Earth, Wind And Fire, The Jackson Five (Cresça logo, pequeno Michael!), Stevie Wonder,Al Green, Marvin Gaye; Permanecíamos atentos às novidades dançantes, para reproduzir nosso Studio 54 local com Parliament/Funkadelic(George Clinton, um monstro!) The Commodores, Kool And The Gang,Chaka Khan , . Mas, o Rock estava ali, vivo, pulsante. Os mesmos personagens (os que sobreviveram às loucuras próprias de um "rebelde sem causa") estavam ali, como os Rolling Stones, o fabuloso Joe Cocker, entre outros, reproduzindo sua música incessantemente, inspirando outros gênios: O Rock Progressivo de Queen, o brilho e a purpurina de David Bowie (Genial), a maquiagem de Alice Cooper, as asas do extravagante Elton John, Supertramp, Gênesis (ah, Phil Collins, Ah, Phil Collins), enchiam não nosso ouvidos, mas agora, nossos olhos: somos TELESPECTADORES. deixamos de ESCUTAR Rock e começamos a OUVIR Rock, VER Rock, SENTIR o Rock, agora detalhadamente. Agradeço aos programadores das radios nos anos 70, pois, apesar de ser um ouvinte passivo de Rock, hoje sei quem são esses heróis. E os admiro.E Também comemoro: UM SALVE PARA O DIA MUNDIAL DO ROCK (bebê...).

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